Milagre Econômico


Milagre Econômico ou "milagre econômico brasileiro" é a denominação de um período da história do Brasil que durou de 1968 a 1973.

Esse período foi caracterizado por aceleração do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), industrialização e baixos níveis inflacionários.

Entre as explicações para a ocorrência do milagre econômico está o Programa de Ação Econômica do Governo (Paeg). O programa foi instituído na gestão do presidente Castelo Branco (1900 - 1967), primeiro governante do período da ditadura militar.

O Paeg previa incentivo às exportações, abertura ao capital exterior, bem como reforma nas áreas fiscal, tributária e financeira da economia nacional. Já em 1967, contudo, na gestão de Artur da Costa e Silva (1899 - 1969), demonstrava sinais de esgotamento.

Foi no governo do presidente Emílio Médici (1905 - 1985), que o milagre econômico chegou ao ápice.

Resumo

Durante o milagre econômico, o PIB alcançou 11,1% de crescimento anual. Foram criados o Banco Central e o SFH (Sistema Financeiro Habitacional), formado pelo já extinto BNH (Banco Nacional de Habitação) e pela CEF (Caixa Econômica Federal).

A principal fonte de recursos para o sistema habitacional estaria na criação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). O novo imposto, recolhido do trabalhador, foi usado para estimular a construção civil.

As reformas impostas pela ditadura militar consistiram na criação de bancos para estimular o mercado de capitais, principalmente o de ações.

Também ajudaram a melhorar o desempenho da indústria de automóveis a partir da abertura de crédito para o consumidor.

Obras

Além das medidas de incentivo, o milagre econômico foi visualizado por meio de obras de grande porte. As mais importantes são a rodovia Transamazônica, a Perimetral Norte, a ponte Rio-Niterói e a usina de Itaipu.

Os recursos para as obras foram obtidos por meio de empréstimos internacionais, que elevaram a dívida externa. Os empréstimos também foram usados para alavancar projetos de mineração, entre eles os das usinas de Carajás, Trombetas e Jari.

Também receberam recursos internacionais as indústrias de bens de consumo (máquinas e equipamentos), farmacêutica e agricultura. O setor agrícola voltou-se para a monocultura, visando o mercado internacional.

O governo federal também achatou os salários dos trabalhadores para incentivar o empresariado.

Na época, o ministro da fazenda Delfim Neto, justificou a medida como importante para impulsionar o crescimento do País. O Brasil ocupava a posição de oitava economia do mundo.

Pobreza

O alegado crescimento não foi partilhado com os trabalhadores, mas a classe média evoluiu.

Como a aplicação dos recursos na infraestrutura, áreas como a saúde, educação e previdência social ficaram prejudicadas.

Os serviços não receberiam investimentos e piorariam porque os Estados Unidos elevaram os juros do mercado internacional na década de 70. Os norte-americanos também reduziram as remessas de dinheiro para os países em desenvolvimento.

O Brasil parou de receber empréstimos e passou a pagar juros exorbitantes da dívida externa. Em consequência, houve arrocho salarial, desvalorização cambial e redução do poder aquisitivo da população.

O salário mínimo chegou ao menor valor da história, ficando abaixo dos US$ 100, resultando em aumento da pobreza e da miséria.

A política econômica privilegiou as exportações e impôs pesados encargos às importações. A estratégia resultou no sucateamento das indústrias.

Por estes motivos, o setor industrial não podia importar máquinas e modernizar os fábricas que, obsoletas, perderam competitividade.

Pontos Positivos

  • Construção de obras importantes, como a ponte Rio-Niterói e a usina de Itaipu
  • Aceleração da industrialização
  • Atração de grandes multinacionais
  • Definição de uma política econômica
  • Incentivo à indústria da construção civil com a criação do Sistema Financeiro Habitacional
  • Abertura de estradas
  • Melhoria da urbanização

Pontos Negativos

  • Aumento da pobreza
  • Aumento da inflação
  • Redução do poder aquisitivo do trabalhador pobre
  • Investimento mínimo em saúde, educação e previdência social
  • Desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar
  • Aumento da dívida externa
  • Compra de empresas à beira da falência - estatização
  • Dependência de empréstimos do exterior, principalmente dos Estados Unidos

Ditadura Militar

O período considerado milagre econômico ocorre durante a ditadura militar, que ocorreu entre 1º de abril de 1964 a 15 de março de 1985.

A política econômica do regime ditatorial privilegiou o aumento da máquina pública. Por esse motivo, houve a estatização da diversas empresas.

O governo privilegiou os interesses das grandes multinacionais em detrimento do trabalhador. Houve elevado déficit do salário mínimo e a redução da renda das camada mais pobres da população.

Setores como educação e saúde tiveram investimentos mínimos. Em contrapartida, os mais ricos acumularam renda.

Década Perdida

Os anos 80 são considerados a década perdida para o Brasil. A denominação é utilizada para explicar os efeitos do fim do período do milagre econômico.

Durante a chamada década perdida, o País perdeu incentivo. Houve, ainda, aumento da dívida externa, da pobreza e redução das exportações. O Brasil ficou mais dependente do capital estrangeiro e estagnou a indústria.

Também houve intensa redução dos salários, com a consequente queda do poder aquisitivo da população. O PIB caiu e o desemprego aumentou, bem como a miséria.

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