Demagogia

Juliana Bezerra

A demagogia é uma estratégia política que se emprega para conseguir o poder apelando para preconceitos, emoções, medos e esperanças do público.

Apesar de estar associada ao mundo da política podemos encontrar demagogia entre comunicadores, artistas, professores e esportistas.

Origem

A palavra vem do grego: demo que significa povo, população + agogôs ou liderar, liderança. Na Grécia e na Roma antiga, o demagogo era encarregado de falar pela população que estava excluída das decisões políticas.

Para o filósofo Aristóteles, na sua obra “A Política”, a demagogia seria o uso corrente da adulação e o mal uso da oratória para conquistar o público para apoiar um dirigente político.

A demagogia, desta forma, estaria intimamente ligada aos interesses particulares de um pequeno grupo dentro da república.

Séculos XX e XXI

O termo demogagia tem diferentes interpretações atualmente:

1. Dominação tirânica sobre o povo.

2. Implantação, por parte de um governo, de políticas que não correspondem ao interesse geral.

3. Esforço de um líder político por concentrar o poder apelando ao lado emocional das massas.

4. Exacerbação das paixões das massas populares, para alcançar um determinado fim político.

5. Atitude daqueles que, para conquistar o favor popular, fazem promessas comprovadamente falsas e simulam estar de acordo com valores e opiniões de gente comum.

Discurso demagógico

Demagogia definição

Para manter-se no poder, o demagogo utiliza várias estratégias para construir o seu discurso como a retórica e a propaganda.

O discurso demagógico caracteriza-se por usar recursos linguísticos como a falácia, a omissão, redefinição de linguagem, a tática de distração, a demonização e o falso dilema.

Abaixo explicamos cada um desses recursos.

Falácia

A falácia é um argumento que contraria as relações lógicas entre os elementos.

Exemplo: Namorado mata ex-namorada porque a amava muito.

Análise: o namorado assassinou a ex-namorada, não porque gostasse dela, mas porque devia ter sérios problemas psicológicos a ponto de tirar a vida de outra pessoa.

Omissões

Apresentam-se informações incompletas, excluindo possíveis problemas para resolver a questão e tornando falsa a realidade exposta.

Exemplo: O governo militar construiu a Transamazônica a fim de melhorar as comunicações e acelerar o progresso da Região Norte.

Análise: A construção da Transamazônica implicou num enorme custo ambiental ao ser derrubado trechos importantes da floresta. Igualmente, não levou em conta a população indígena que vivia ali que não recebeu qualquer tipo de indenização.

Redefinição de Linguagem

Utilização de eufemismos a fim de atenuar uma realidade difícil que implicaria a culpa daqueles que fazem o discurso.

Demagogos

Exemplo: Durante a crise econômica, vários jovens foram buscar novas oportunidades no exterior para aperfeiçoar seus conhecimentos.

Análise: Muitos jovens foram ao exterior trabalhar porque não encontraram emprego no seu próprio país.

Táticas de Distração

Consiste em não responder diretamente uma questão ou mudar o assunto debatido de forma repentina a fim de escapar da pressão do interlocutor.

Exemplo: Diálogo entre um Juiz e uma acusada:

Juiz: Foram encontradas na sua conta depósitos de nove mil reais feitos diariamente durante uma semana. A senhora sabe de onde vinha este dinheiro?

Suspeita: Desconheço completamente. Era meu marido que cuidava da minha vida financeira.

Análise: jogar a culpa numa terceira pessoa a fim de se livrar da acusação, desviando a atenção sobre si mesma.

Demonização

Consiste em associar uma ideia ou um grupo de pessoas a valores negativos até que estes sejam vistos de maneira inferior.

Exemplo: todos os moradores de uma favela são bandidos e traficantes e por isso, suas casas devem ser invadidas durante uma batida policial.

Análise: Nem todos os habitantes de uma favela são marginais. Há muitos trabalhadores, estudantes que vivem ali. Além disso, nenhuma propriedade privada pode ser invadida por força policial, ao menos que haja um mandato judicial que o justifique.

Falso Dilema

Apresenta dois argumentos como se fossem as únicas duas alternativas possíveis para um problema.

Exemplo: "Brasil: ame-o ou deixe-o". Eslogan do governo Médici (1970-1974).

Análise: O autor utiliza de maneira simplista o sentimento do amor pela pátria. Só fica no Brasil quem o ama, pois caso contrário, deveria deixá-lo. Não estão contempladas as possibilidades de permanecer sem amá-lo por não haver outra alternativa.

Igualmente, deixá-lo não significa não amá-lo. Talvez não haja outra opção, especialmente, nos tempos da ditadura.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.