Vidrarias de laboratório

Carolina Batista

Vidrarias são uns dos materiais mais utilizados no laboratório de Química para realizar misturas, reações e testes.

Elas têm formatos, capacidade e funções diferentes, sendo empregadas nas diferentes atividades de um químico.

As vidrarias podem ser feitas de vidro comum, vidro pirex, quartzo fundido ou vidro temperado.

Confira as vidrarias mais utilizadas e suas respectivas funções.

Vidraria Nome e função
balão fundo chato Balão de fundo chato: utilizado no preparo e armazenamento de soluções, pois facilita a homogeneização. Também é útil em experimentos cujas reações desprendem gases ou aquecimento brando de líquidos e soluções.
balão fundo redondo Balão de fundo redondo: por suportar elevadas temperaturas e ter formato arredondado, que permite aquecimento uniforme, essa vidraria é utilizada em processos de destilação, sistemas de evaporação a vácuo e refluxo.
balão de destilação Balão de destilação: utilizado para armazenar uma mistura no processo de destilação. Os gases separados são direcionados à saída lateral, que é acoplada a um condensador, onde serão resfriados à medida que os vapores são desprendidos.
balão volumétrico Balão volumétrico: utilizado para preparar soluções ou diluições que necessitam de medidas extremamente precisas, já que seu volume é fixo.
béquer Béquer ou Becker: utilizado para medição de volumes, que não requerem precisão, e a presença de um bico facilita a transferência de líquidos. Essa vidraria é de uso geral, útil para realizar misturas e dissolver substâncias em experimentos.
Dessecador Dessecador: utilizado para eliminar a umidade de materiais com o auxílio de um agente secante. Geralmente, utiliza-se sílica-gel na secagem. A vedação do dessecador permite criar uma atmosfera controlada e livre de umidade.
erlenmeyer Erlenmeyer: utilizado para preparar soluções, armazená-las e realizar experimentos que necessitem de aquecimento. Em processos de titulação, é geralmente utilizado para comportar a substância que vai ser titulada.
tubos de ensaio Tubos de ensaio: utilizados para realizar reações químicas, coleta de amostras ou aquecimento de substâncias, onde os reagentes estão em pequenas quantidades.
bureta Bureta: utilizada para medir e transferir líquidos. Com ela é possível controlar o escoamento do material, rápido ou por gotejamento, pois a torneira na extremidade da vidraria permite fazer esse controle. É amplamente utilizada em titulações, para comportar a substância titulante.
bastão de vidro Bastão de vidro: possui aspecto de haste e é útil para homogeneizar ou agitar soluções, já que não reage quimicamente. Serve também para direcionar um líquido na transferência de um recipiente para outro.
condensador Condensador: utilizado para condensar os vapores separados no processo de destilação de misturas líquido-líquido e sólido-líquido. Ele funciona acoplado a uma mangueira que transfere a água fria para as paredes da vidraria. O vapor quente entra no condensador, troca calor com a água e é resfriado.
coluna de fracionamento Coluna de fracionamento: utilizada para destilação em pequena escala, cuja separação dos componentes da mistura homogênea ocorre pela diferença de volatilidade das substâncias.
funil de bromo Funil de bromo ou funil de separação: utilizado para separar misturas heterogêneas de líquidos imiscíveis através da decantação. Ao deixar a mistura em repouso, os líquidos, que possuem densidades diferentes, são separados pelo escoamento do líquido mais denso ao abrir a torneira na extremidade da vidraria.
funil de vidro Funil de vidro: utilizado no processo de filtração de mistura sólido-líquido com o papel de filtro em seu interior. Dessa forma, os sólidos, que não estão dissolvidos no líquido, são retidos no meio filtrante. Também é útil para transferir materiais de um recipiente para o outro, evitando perdas.
kitassato Kitassato: utilizado para realizar filtrações a vácuo. A separação da mistura ocorre em um funil de Büchner, que é inserido na parte superior da vidraria. O duto na lateral do kitassato é acoplado a uma mangueira que succiona o ar, gerando vácuo, e acelera a separação.
placa de petri Placa de Petri: utilizada como recipiente para cultivar e observar o comportamento de micro-organismos, como bactérias, em laboratórios bioquímicos ou biológicos. Também é útil na secagem de materiais, como cristais e sólidos filtrados.
pipeta graduada Pipeta graduada: utilizada para medir e transferir pequenas e variáveis quantidades de líquidos ou soluções, pois possui graduações marcando o volume ao longo do seu tubo.
pipeta volumétrica Pipeta volumétrica: tem a mesma função de uma pipeta graduada, porém é mais precisa por comportar um volume fixo de líquido ou solução. O material é succionado para seu interior utilizando um pipetador ou uma pera de sucção.
proveta Proveta: utilizada para medição e transferência de volumes de líquidos ou soluções com menor precisão que as pipetas. Seu tubo de vidro cilíndrico possui graduação para marcação do volume que ela comporta.
vidro de relógio Vidro de relógio: utilizado para comportar pequenas quantidades de materiais que serão pesados em uma balança. Também é útil para cobrir recipientes e colocar substâncias para evaporações em pequena escala.

Para mais informações, não deixe de ler os textos que preparamos:

Do que são feitas as vidrarias?

O vidro é um material inorgânico, composto por uma mistura de matérias-primas, em sua maioria óxidos fundidos em elevadas temperaturas.

O aquecimento permite que os componentes sejam moldados até que a vidraria seja formada e, após resfriada, tornar-se um material rígido e versátil.

Os óxidos de metais utilizados são: óxido de silício (SiO2), óxido de boro (B2O3), óxido de sódio (Na2O) e óxido de alumínio (Al2O3). Essa mistura, principalmente dos óxidos de boro e silicato, favorecem a resistência do vidro para que não ocorra dilatação.

Algumas vidrarias depois de prontas não podem ser aquecidas, pois possuem baixa resistência mecânica e química. É o caso dos materiais fabricados com vidro comum.

Vidros de borossilicato, ou Pirex, são os mais utilizados em laboratório, por possuírem baixo coeficiente de dilatação.

Vidrarias que necessitam suportar elevadas temperaturas são fabricadas em vidro temperado. Já o quartzo fundido, não sofre interferência química das substâncias e também resiste a elevadas temperaturas.

Como limpar as vidrarias?

As vidrarias precisam passar por um processo de limpeza antes e após a utilização para que os testes realizados nelas não sofram interferências pela presença de contaminantes.

O método de higienização varia de acordo com o tipo de substância que foi inserida na vidraria e respeitando as normas de segurança.

A limpeza comum de um material é feita com água corrente e detergente. Também, são utilizadas escovas próprias para o tipo de vidraria, que facilitam a remoção de materiais do seu interior.

escovas para limpeza de vidrarias
Escovas utilizadas para limpeza de vidrarias

Uma solução sulfocrômica – mistura de água (H2O), dicromato de potássio (K2Cr2O7) e ácido sulfúrico (H2SO4) – é utilizada para limpezas mais profundas e a água deionizada para garantir a remoção de soluções solúveis.

Se o material for um composto orgânico insolúvel em água, por exemplo, deve-se utilizar um solvente orgânico, recomendado pelo fabricante, para dissolver as substâncias impregnadas.

Outra preocupação que se deve ter é com o método de secagem. Utilizar panos ou toalhas podem deixar fibras na vidraria. O ideal é deixar secar naturalmente ou as vidrarias que não são volumétricas podem ir para um estufa, que realiza esterilização a seco.

Vale lembrar que os equipamentos individuais de segurança e proteção devem ser sempre utilizados. Luvas, óculos de proteção, jaleco e sapato fechado são essenciais para proteger do contato com produtos químicos.

Quer conhecer atividades realizadas em um laboratório químico? Então confira esses textos:

Carolina Batista
Carolina Batista
Técnica em Química pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (2011) e Bacharelada em Química Tecnológica e Industrial pela Universidade Federal de Alagoas (2018).