A Linguagem do Humanismo

Daniela Diana

A linguagem do humanismo é racional, histórica, política e teatral. Está baseada, sobretudo, na valorização do ser humano e no universo psicológico das personagens.

Lembre-se que o humanismo representa um momento de transição entre o trovadorismo e o classicismo. Sua principal característica está na preocupação com o ser humano e suas emoções.

A poesia palaciana, as crônicas históricas e os textos teatrais foram os mais explorados pelos escritores humanistas.

Principais Autores e Obras do Humanismo

Francesco Petrarca (1304-1374)

Humanista italiano, Petrarca foi um dos mais importantes escritores humanistas. Á ele, está associado a criação dos sonetos, forma poética fixa composta de 2 quartetos e 2 tercetos.

Petrarca produziu cerca de 300 sonetos e de sua obra destacam-se: Cancioneiro e o Triunfo, Meu Livro Secreto e Itinerário para a Terra Santa.

Dante Alighieri (1265-1321)

Humanista italiano, autor do poema épico e teológico intitulado “Divina Comédia”.

Dante é considerado um dos mais importantes poetas do humanismo. Ele escreveu vários textos líricos, filosóficos e políticos, dos quais se destacam: Vida Nova, Monarquia e O Convívio.

Giovanni Bocaccio (1313-1375)

Poeta humanista, considerado o criador da prosa italiana. Bocaccio é autor da obra de novelas "Decamerão", que apresenta como temática da natureza humana. Além de Decamerão, de sua obra literária merecem destaque: Mulheres Famosas, Filocolo e Teseida.

Erasmo de Roterdã (1466-1536)

Humanista neerlandês, autor de diversas obras de caráter humanista. Sua obra mais importante é “O Elogio da Loucura”, publicada em 1509, na qual defende a liberdade do pensamento humano.

Além dela, merecem destaque: Os Pais Cristãos, Colóquios Familiares e Preparação para a Morte.

Michel de Montaigne (1533-1592)

Humanista francês, Montaigne é considerado o criador do gênero literário ensaio pessoal. Publicou a obra “Ensaios” em 1580.

Fernão Lopes (1390-1460)

Escritor humanista português, nomeado cronista-mor da Torre do Tombo, em 1418. Escreveu diversos textos denominados de prosa historiográfica. Foi fundador da historiografia portuguesa e de sua obra literária merece destaque: Crônica de El-Rei D. Pedro I, Crônica de El-Rei D. Fernando e Crônica de El-Rei D. João I.

Gil Vicente (1465-1536)

Dramaturgo português, considerado o “Pai do Teatro Português” sendo um dos principais dramaturgos humanistas. Destacou-se com sua produção literária associada ao teatro.

De sua obra, merece destaque Auto da Visitação, O Velho da Horta, Auto da Barca do Inferno e a Farsa de Inês Pereira.

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Características do Humanismo

O movimento humanista surgiu no século XV em Florença, Itália, cidade considerada o berço do Renascimento.

As principais características do humanismo refletem a preocupação com as questões humanas onde o homem passa a ser o centro das atenções (Antropocentrismo).

O nome desse movimento literário e cultural está associado à crise do feudalismo e às descobertas científicas. Essas, foram essenciais para trazer à tona as características do Humanismo Renascentista.

As ideias estavam aliadas ao antropocentrismo (homem no centro do mundo), em contraposição ao teocentrismo (Deus como centro do mundo) medieval.

Ou seja, nesse momento, ocorre a transição da Idade Média para a Idade Moderna, ou ainda, da cultura medieval para a cultura clássica. Por fim, o Humanismo estende-se de 1434 até 1527, quando começa o classicismo.

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Exemplos

Para compreender melhor a linguagem do humanismo, segue abaixo dois exemplos:

Trecho da obra “Triunfo da Morte” de Francesco Petrarca

“Aquela bela dama e gloriosa,
Que hoje é nu 'spírito e pouca terra,
E foi alta coluna e valorosa;
Tornava com grande honra de sua guerra,
Deixando já vencido o grande inimigo,
Que com seu doce fogo o mundo aterra.
Não com mais armas que respeito altivo,
Honestidade em rosto e pensamento,
Coração casto e de virtude amigo.
Grande espanto era ver tal vencimento,
As armas d'amor rotas e desfeitas,
E os vencidos dele em mor tormento.
A bela dama e as outras eleitas
Se vinham gloriando da vitória,
Em bela esquadra juntas e restreitas.
Poucas eram, que rara é vera glória,
Mas dinas, da primeira à derradeira,
De claríssimo poema e de história.
Traziam, por insígnia, na bandeira
Em campo verde um branco armelino
D'ouro fino, e topazes a coleira.
Não humano, certamente, mas divino”

Trecho da obra “Farsa de Inês Pereira” de Gil Vicente

“INÊS Renego deste lavrar
E do primeiro que o usou;
Ó diabo que o eu dou,
Que tão mau é d'aturar.
Oh Jesu! que enfadamento,
E que raiva, e que tormento,
Que cegueira, e que canseira!
Eu hei-de buscar maneira
D'algum outro aviamento.

Coitada, assi hei-de estar
Encerrada nesta casa
Como panela sem asa,
Que sempre está num lugar?
E assi hão-de ser logrados
Dous dias amargurados,
Que eu possa durar viva?
E assim hei-de estar cativa
Em poder de desfiados?

Antes o darei ao Diabo
Que lavrar mais nem pontada.
Já tenho a vida cansada
De fazer sempre dum cabo.
Todas folgam, e eu não,
Todas vêm e todas vão
Onde querem, senão eu.
Hui! e que pecado é o meu,
Ou que dor de coração?”

Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.