Histograma: como construir e interpretar (com exercícios)
Histograma é o gráfico que representa dados numéricos agrupados em intervalos, chamados classes, por meio de barras verticais coladas umas às outras. A altura de cada barra indica quantos dados caíram naquele intervalo, e a ausência de espaço entre as barras mostra que as classes são contínuas, sem buracos entre elas.
Imagine que você mediu a altura dos 40 alunos da sua turma. Listar os 40 números não diz quase nada. Mas se você agrupar as alturas em faixas de 5 em 5 centímetros e desenhar uma barra para cada faixa, o formato que aparece responde de imediato às perguntas que interessam: onde está a maioria da turma, se há alunos muito acima ou muito abaixo do grupo, e quão espalhados os valores estão.
Neste conteúdo você encontra:
- Histograma ou gráfico de colunas?
- Elementos do histograma
- Como construir um histograma passo a passo
- Como interpretar um histograma
- Polígono de frequência
- Histograma no ENEM
- Perguntas frequentes
- Exercícios
Histograma ou gráfico de colunas?
Esta é a dúvida número um do tema, e a resposta não está na aparência do gráfico: está no tipo de variável que cada um representa.
Histograma — representa variável quantitativa contínua, ou seja, medida em números que podem assumir qualquer valor dentro de um intervalo, como altura, peso, tempo ou temperatura. Os dados são agrupados em classes, e as barras ficam justapostas, coladas umas às outras.
Gráfico de colunas — representa variável qualitativa ou quantitativa discreta, como esporte preferido, cor favorita ou número de irmãos. Cada coluna corresponde a uma categoria isolada, e por isso as barras ficam separadas por espaços.
O espaço entre as barras não é decoração: ele comunica que as categorias são independentes umas das outras. No histograma, ao contrário, o fim de uma classe é o começo da seguinte, e um espaço em branco daria a entender, incorretamente, que existem valores que não pertencem a nenhuma classe. Para comparar com os demais formatos de representação de dados, veja o panorama dos tipos de gráficos.
Elementos do histograma
Antes de desenhar, é preciso conhecer o vocabulário que organiza os dados:
- Classe — cada intervalo em que os dados são agrupados, escrito na forma 150 |— 155, que se lê "de 150 inclusive até 155 exclusive".
- Limites da classe — o menor e o maior valor do intervalo. Na classe 150 |— 155, o limite inferior é 150 e o superior é 155.
- Amplitude da classe — a diferença entre os dois limites. No exemplo, vale 5.
- Amplitude total — a diferença entre o maior e o menor valor do conjunto de dados.
- Ponto médio — o valor central da classe, obtido pela média dos limites. Na classe 150 |— 155, é 152,5.
- Frequência absoluta — quantos dados caíram em cada classe.
- Frequência relativa — a mesma contagem expressa em porcentagem do total.
A notação 150 |— 155 resolve um problema real: um aluno com exatamente 155 cm precisa entrar em uma única classe. O traço indica que ele pertence à classe seguinte, e não a esta.
Como construir um histograma passo a passo
Vamos usar um único conjunto de dados do começo ao fim: as alturas, em centímetros, dos 40 alunos de uma turma do 9º ano, com valores entre 150 e 179 cm.
1º passo — organizar o rol. Coloque os 40 valores em ordem crescente. O menor é 150 e o maior é 179, o que dá amplitude total de 29 cm.
2º passo — definir as classes. Com 40 dados, de 5 a 7 classes costumam funcionar bem. Escolhendo amplitude de 5 cm e começando em 150, chega-se a 6 classes que cobrem de 150 a 180.
3º passo — montar a tabela de distribuição de frequências. Conte quantos alunos caem em cada classe:
150 |— 155 — 3 alunos — ponto médio 152,5 — 7,5%
155 |— 160 — 7 alunos — ponto médio 157,5 — 17,5%
160 |— 165 — 12 alunos — ponto médio 162,5 — 30%
165 |— 170 — 10 alunos — ponto médio 167,5 — 25%
170 |— 175 — 6 alunos — ponto médio 172,5 — 15%
175 |— 180 — 2 alunos — ponto médio 177,5 — 5%
Total — 40 alunos — 100%
4º passo — desenhar os eixos. No eixo horizontal vão os limites das classes; no eixo vertical, as frequências.
5º passo — levantar as barras. Cada classe recebe um retângulo cuja base é o intervalo e cuja altura é a frequência. As bases se tocam, sem espaços.
Antes de dar o trabalho por encerrado, confira sempre a soma das frequências: se ela não bater com o total de dados, algum valor foi contado duas vezes ou ficou de fora. Aqui, 3 + 7 + 12 + 10 + 6 + 2 = 40, o que confirma a contagem.
Como interpretar um histograma
O gráfico pronto responde a quatro perguntas que a lista de números não responderia.
Onde os dados se concentram. A barra mais alta indica a classe modal, aquela com maior frequência. No exemplo, é a classe 160 |— 165, com 12 alunos: a altura mais comum da turma está nessa faixa.
Se a distribuição é simétrica. Quando as barras de um lado espelham as do outro, a distribuição é simétrica. Aqui há uma leve assimetria à direita, porque as classes mais altas têm menos alunos do que as mais baixas.
Quão espalhados estão os valores. Um histograma largo e baixo indica dados dispersos; um estreito e alto indica dados concentrados. Essa leitura conversa diretamente com as medidas de dispersão, que colocam número nessa impressão visual.
Se existem valores isolados. Barras muito baixas e afastadas do grupo principal sinalizam dados atípicos, que merecem atenção. No exemplo, os 2 alunos da classe 175 |— 180 estão no limite superior da turma.
Uma advertência importante: o histograma não permite recuperar os valores originais. Olhando o gráfico, sabemos que 12 alunos medem entre 160 e 165 cm, mas não sabemos quanto mede cada um. Essa perda de detalhe é o preço do agrupamento — e é exatamente o que o diagrama de ramos e folhas evita, ao custo de só funcionar com conjuntos pequenos.
Polígono de frequência
O polígono de frequência é a linha que se obtém ligando os pontos médios do topo de cada barra do histograma. Ele mostra o mesmo conjunto de dados, mas destaca o formato da distribuição em vez das contagens isoladas.

Para fechar a figura, a linha desce até o eixo horizontal nas duas extremidades, em classes imaginárias de frequência zero antes da primeira e depois da última. Essa é a diferença prática entre os dois gráficos: o histograma é a leitura de cada classe, e o polígono é a leitura do perfil do conjunto. Quando é preciso comparar duas turmas, o polígono leva vantagem, porque duas linhas cabem no mesmo par de eixos e dois histogramas não.
Histograma no ENEM
No ENEM, o histograma quase nunca aparece para ser construído — aparece para ser lido. As tarefas mais cobradas são três.
Somar frequências de classes vizinhas. Perguntas do tipo "quantas pessoas têm entre 160 cm e 170 cm" exigem somar as barras correspondentes: 12 + 10 = 22 alunos.
Converter frequência absoluta em porcentagem. "Que percentual da turma mede menos de 160 cm" pede (3 + 7) ÷ 40 = 0,25, ou seja, 25%.
Identificar a classe modal ou estimar a mediana. A classe modal é a barra mais alta; a classe da mediana é aquela em que a soma acumulada ultrapassa metade do total.
O erro mais frequente é somar as alturas das barras quando a pergunta pede um percentual, ou dividir pelo número de classes em vez de pelo total de dados. Para treinar esse tipo de leitura com gabarito comentado, resolva a lista de exercícios com gráficos.
Principais pontos para estudar para a sua prova
1. O histograma representa variável quantitativa contínua agrupada em classes, com barras justapostas.
2. O gráfico de colunas representa categorias e tem barras separadas — o espaço entre elas é a diferença essencial.
3. A notação 150 |— 155 significa que 150 entra na classe e 155 pertence à classe seguinte.
4. A altura de cada barra é a frequência absoluta da classe.
5. A classe modal é a de maior frequência, representada pela barra mais alta.
6. A soma de todas as frequências tem de ser igual ao total de dados: é a conferência obrigatória.
7. O polígono de frequência liga os pontos médios do topo das barras e desce ao eixo nas extremidades.
Perguntas frequentes
O que é um histograma?
Histograma é o gráfico de barras verticais justapostas que representa dados numéricos agrupados em classes, em que a altura de cada barra indica a frequência da classe correspondente. Ele serve para visualizar como um conjunto de dados se distribui.
Qual é a diferença entre histograma e gráfico de barras?
A diferença está no tipo de dado: o histograma representa variáveis quantitativas contínuas agrupadas em classes e tem barras coladas, enquanto o gráfico de barras ou colunas representa categorias independentes e tem barras separadas por espaços.
Quantas classes deve ter um histograma?
Há algumas técnicas diferentes para determinar a quantidade de classes como por exemplo a Regra de Sturges (baseada na distribuição binomial) e a Regra da Raiz Quadrada muito usada em estatística descritiva básica. Baseia-se na ideia de que o número de classes deve crescer proporcionalmente à raiz quadrada do tamanho da amostra.
Regra de Sturges
Regra da Raiz Quadrada
Onde, é a quantidade de classes e
é o total de dados.
Mas costuma-se usar de 5 a 15 classes, ajustando à quantidade de dados: conjuntos pequenos pedem menos classes e conjuntos grandes admitem mais. Poucas classes escondem detalhes da distribuição; classes demais produzem um gráfico irregular e difícil de ler.
No nosso exemplo teremos pelo método da raiz quadrada:
Como calcular a amplitude das classes?
Divida a amplitude total dos dados pelo número de classes desejado e arredonde para um valor de leitura confortável. Se as alturas vão de 150 a 179 cm e você quer 6 classes, a conta 29 ÷ 6 ≈ 4,8 sugere usar amplitude 5.
Exercícios
1. O histograma das alturas de uma turma de 40 alunos apresenta as seguintes frequências: 3 alunos na classe 150 |— 155, 7 na classe 155 |— 160, 12 na classe 160 |— 165, 10 na classe 165 |— 170, 6 na classe 170 |— 175 e 2 na classe 175 |— 180. O número de alunos com altura entre 160 cm e 170 cm é:
a) 10
b) 12
c) 19
d) 22
e) 28
Resposta correta: d) 22
Explicação: O intervalo pedido, de 160 cm a 170 cm, corresponde exatamente a duas classes do histograma: 160 |— 165, com 12 alunos, e 165 |— 170, com 10 alunos. Somando as duas frequências, obtém-se 12 + 10 = 22 alunos. O distrator 12 é escolhido por quem lê apenas a barra mais alta e esquece que o intervalo pedido abrange duas classes.
2. Ao escolher entre um histograma e um gráfico de colunas para representar um conjunto de dados, o critério correto é:
a) usar o histograma quando o número de dados for maior que 100 e o gráfico de colunas nos demais casos
b) usar o histograma para variáveis quantitativas contínuas agrupadas em classes, o que faz suas barras ficarem justapostas
c) usar o gráfico de colunas sempre que houver mais de cinco categorias
d) usar o histograma apenas quando a distribuição dos dados for simétrica
e) usar o gráfico de colunas quando os dados estiverem em porcentagem
Resposta correta: b) usar o histograma para variáveis quantitativas contínuas agrupadas em classes, o que faz suas barras ficarem justapostas
Explicação: A escolha depende do tipo de variável, não da quantidade de dados nem do formato da distribuição. O histograma representa variáveis quantitativas contínuas, como altura, peso ou tempo, agrupadas em classes que se sucedem sem interrupção — e é justamente essa continuidade que faz as barras ficarem coladas. O gráfico de colunas representa categorias independentes, e por isso suas barras aparecem separadas.
3. Considerando o mesmo histograma das alturas dos 40 alunos, em que 3 estão na classe 150 |— 155 e 7 na classe 155 |— 160, o percentual de alunos com altura inferior a 160 cm é de:
a) 10%
b) 17,5%
c) 25%
d) 30%
e) 40%
Resposta correta: c) 25%
Explicação: Os alunos com altura inferior a 160 cm são os das duas primeiras classes, somando 3 + 7 = 10 alunos. Para obter a frequência relativa, divide-se esse valor pelo total de dados: 10 ÷ 40 = 0,25, que corresponde a 25%. O erro mais comum é responder 10%, confundindo a frequência absoluta de 10 alunos com uma porcentagem já pronta.
Para consolidar a leitura de tabelas de frequência, médias e gráficos em questões de prova, resolva os exercícios sobre noções de estatística.
Referências Bibliográficas
DANTE, Luiz Roberto. Matemática: contexto & aplicações. 3. ed. São Paulo: Ática, 2016. v. 3. Ensino Médio.
IEZZI, Gelson; HAZZAN, Samuel; DEGENSZAJN, David. Fundamentos de matemática elementar: matemática comercial, matemática financeira, estatística descritiva. 2. ed. São Paulo: Atual, 2013. v. 11.
PAIVA, Manoel. Matemática Paiva. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2010. v. 3. Ensino Médio.
CANELLAS, William. Histograma: como construir e interpretar (com exercícios). Toda Matéria, [s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/histograma/. Acesso em: