Teoria do Conhecimento (Gnosiologia)

Pedro Menezes

A teoria do conhecimento, ou gnosiologia, é uma área da filosofia voltada para a compreensão da origem, natureza e a forma que tornam possível o ato de conhecer pelos seres humanos. Como disciplina da filosofia, a teoria do conhecimento surgiu na Idade Moderna, tendo como fundador o filósofo inglês John Locke.

Gnosiologia ou gnoseologia (do grego gnosis, "conhecimento", e logos, "discurso") está relacionada ao ato de conhecer, a partir da relação entre dois elementos:

  • o SUJEITO - aquele que conhece (ser cognoscente)
  • o OBJETO - aquilo que pode ser conhecido (cognoscível)

Partindo dessa relação, é possível conhecer algo e estabelecer formas distintas para o conhecimento, ou melhor, para a apreensão do objeto.

Pac Man - Relação sujeito-objeto
A apreensão do objeto pelo sujeito

Formas de Conhecimento

Diversas são as possibilidades de compreender ou de explicar algum fenômeno. A própria Filosofia nasce da necessidade de buscar um modo diferente de compreender o mundo. As explicações dadas pelos mitos deixaram de ser suficientes e alguns homens buscaram uma forma mais segura e confiável, a Filosofia.

Quando falamos sobre formas de conhecimento podemos falar de:

O saber filosófico se diferencia dos outros saberes por conta das especificidades de cada um deles. Por seu caráter lógico e racional, a filosofia afasta-se da mitologia e da religião por esses saberes estarem baseados na crença e não há provas ou demostrações.

Por seu caráter universal e sistemático, afasta-se do senso comum porque este trabalha baseado em experiências particulares.

E, por não possuir um objeto de estudo específico como as ciências (por exemplo, a química, a física, a biologia, a sociologia, etc.), o saber filosófico é entendido como um outro tipo de conhecimento.

A filosofia se preocupa com a totalidade dos saberes e dentro desta totalidade está a teoria do conhecimento.

A Epistemologia

A filosofia nasce do questionamento e da busca de uma forma lógico-racional para explicar a origem do mundo. Os primeiros filósofos questionaram as explicações fantasiosas dadas pelos mitos e buscaram alcançar um novo tipo de saber a partir de seu espírito crítico.

“De fato, os homens começaram a filosofar, agora como na origem, por causa da admiração, na medida em que, inicialmente, ficavam perplexos diante das dificuldades mais simples; em seguida, progredindo pouco a pouco, chegaram a enfrentar problemas sempre maiores.” (Aristóteles, Metafísica, I, 2, 982b12, trad. Reale)

Da admiração que nasce, nas palavras de Pitágoras, o "amor pelo conhecimento" (philo + sophia). A atitude filosófica consiste em olhar para o que há de mais comum e habitual como se fosse algo inédito a ser descoberto.

Sócrates ganhou o título de "pai da filosofia", mesmo não sendo o primeiro filósofo. Sistematizou a atitude filosófica como o a busca por um conhecimento válido, seguro e universal capaz de agir com uma base teórica para novos saberes e da consciência filosófica.

E foi seu discípulo Platão que, ao longo de sua obra, buscou definir dois tipos de saberes distintos: a doxa ("opinião") e a episteme ("conhecimento verdadeiro"). E, a partir daí, ao falarmos de conhecimento, estamos direcionados às questões gerais relativas ao conhecimento verdadeiro, o conhecimento científico, a Epistemologia.

O estudo sobre o conhecimento científico possui uma subdivisão que se refere à Lógica e a Teoria do Conhecimento. E é a teoria do conhecimento que será tratada com mais atenção aqui no texto.

O Conhecimento e os Objetos

É importante compreender que teoria do conhecimento não trata da apreensão de cada objeto especificamente, mas das condições gerais para o conhecimento humano e sua relação com tudo aquilo que pode ser conhecido (a totalidade dos objetos).

Como dito anteriormente, a teoria do conhecimento não se ocupa dos saberes específicos, por exemplo, o saber sobre política, futebol, artes ou química, mas em compreender como opera o ato de conhecer.

Para isso, é preciso perceber que o objeto a ser conhecido possui dois aspectos centrais. Existe fora da mente humana, mas, por outro lado, pode ser entendido como a própria mente humana dando sentido à realidade.

A relação do ser cognoscente com o objeto cognoscível produz uma série de saberes que chamamos de conhecimento.

Deste modo, ao longo da tradição filosófica, foram dadas diversas explicações para a pergunta "o que é o conhecimento?". Temos aqui alguns exemplos de respostas dadas a essa pergunta.

Quanto à possibilidade do conhecimento:

Corrente Filosófica Pontos-Chave
Dogmatismo Acredita que tudo pode ser conhecido. A relação com o conhecimento se dá a partir de verdades inquestionáveis (dogmas) orientadas pela razão. Tudo pode ser conhecido.
Ceticismo Compreende que o sujeito não dá conta de apreender o objeto. Há limites para o conhecimento e para a razão humana. É impossível um conhecimento total.

Quanto à origem do conhecimento:

Corrente Filosófica Pontos-Chave
Racionalismo O conhecimento tem origem na razão. Todo o conhecimento tem por base a Razão. Os sentidos nos enganam.
Empirismo O conhecimento tem origem na experiência. É a partir dos sentidos e das percepções que nos relacionamos com o mundo e podemos conhecer alguma coisa.

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Pedro Menezes
Pedro Menezes
Licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestrando em Ciências da Educação pela Universidade do Porto (FPCEUP).