Sapos

Lana Magalhães

Os sapos são pequenos animais anfíbios pertencentes à Ordem Anura.

A ordem dos Anuros abrange mais 5000 espécies de sapos, rãs e pererecas. Os sapos pertencem à família Bufonidae, com cerca de 454 espécies. No Brasil, grande parte das espécies é encontrada na Mata Atlântica e na Amazônia.

A vida dos sapos é intimamente relacionada com a água. A água é fundamental para sua reprodução e a umidade garante a respiração cutânea.

O Bufo marinus (sapo-cururu) é a espécie mais comum no Brasil.

Bufo marinus

Bufo marinus

Saiba mais sobre os Anfíbios.

Cobertura do Corpo

A pele dos sapos é seca, glandular e vascularizada. Não possuem nenhum tipo de pelos ou escamas.

A pele fina permite as trocas gasosas, respiração cutânea. Essa condição também impõe que os sapos habitem ambientes úmidos e sombreados. A exposição aos raios solares pode provocar o ressecamento da pele. Por isso, muitos sapos são ativos apenas durante a noite.

A coloração dos sapos pode ser semelhante ao local onde vivem, o que é importante para sua defesa. Outras espécies podem ser coloridas, sendo bastante atrativas.

Na pele dos sapos também podem ser encontradas substâncias químicas que atuam na defesa contra predadores, fungos e bactérias.

Habitat

Os sapos podem ser encontrados em todas as partes do mundo, exceto em lugares muito frios.

Em geral, os sapos habitam locais úmidos, como próximo de riachos, lagoas, igarapés e brejos. Isso porque o seu modo de vida é fortemente relacionado com a água.

Respiração

Os sapos apresentam duas fases de vida:

A fase larval, em ambiente aquático, quando realizam a respiração branquial. E a fase adulta, em ambiente terrestre, quando realizam a respiração pulmonar e a respiração cutânea.

Alimentação

Os sapos alimentam-se de aranhas, besouros, gafanhotos, moscas, formigas e cupins. Algumas espécies maiores podem comer pequenos pássaros e até mesmo outros sapos.

O sapo captura suas presas através da língua, bastante ágil e extensível. A língua é ainda pegajosa e faz que o alimento fique grudado até ser levado para o interior da boca.

Um fato curioso é que o sapo fecha os olhos para engolir o alimento. Isso porque os grandes olhos são forçados para cavidade bucal e ajudam a empurrar os alimentos para abaixo da garganta.

Reprodução

A reprodução dos sapos inicia-se quando os machos coacham (cantam) para atrair as fêmeas. Em algumas espécies, a fêmea escolhe o macho com canto mais forte. O canto guia a fêmea até o encontro com seu parceiro. Geralmente, o macho canta próximo aos ambientes com água, necessários para a reprodução.

Quando estão juntos, o macho abraça a fêmea, um ato chamado de amplexo, e ocorre a liberação dos gametas na água. Nesse caso, os sapos realizam fecundação externa.

Saiba mais sobre a Fecundação Interna e Externa.

Amplexo

Amplexo no momento da reprodução

Após um tempo, os ovos liberam os girinos (fase larval), que sofrem metamorfose e transformam-se em adultos em miniatura, alcançando o ambiente terrestre. O tempo de metamorfose varia de espécie para espécie, pode levar de dias a meses.

A principal característica da metamorfose dos sapos é a perda da cauda dos girinos que transformam-se em pernas. Essa condição permitiu o avanço para o ambiente terrestre e foi uma importante conquista evolutiva.

Saiba mais sobre a Metamorfose dos Animais.

Sapos Venenosos

Algumas espécies de sapos são venenosas. Saiba sobre algumas destas espécies:

  • Dendrobates leucomelas: Espécie encontrada entre árvores e rochas. O veneno fica localizado sob sua pele.
  • Phyllomedusa bicolor: Espécie muito venenosa, encontrada na Amazônia. Em humanos, o veneno pode causar taquicardia, vômito e diarreia.
  • Phyllobates terribilis: Um dos sapos mais venenosos do mundo, apesar de ter apenas 5 cm. Encontrado na Colômbia.
  • Phyllobates bicolor: Nativo da Colômbia. O seu veneno já foi responsável pela morte de humanos.

Curiosidades

  • Um sapo adulto ingere, aproximadamente, o equivalente a 3 xícaras cheias de moscas por dia.
  • Os cantos de sapos e rãs são herdados geneticamente de uma geração à outra, e não requerem aprendizagem.
  • Pelo fato dos sapos produzirem substâncias químicas na pele que os protegem contra bactérias e fungos, existe menos chance de adquirir uma doença quando tocamos em um sapo, do que quando tocamos em cães ou gatos, por exemplo.
Lana Magalhães
Lana Magalhães
Licenciada em Ciências Biológicas (2010) e Mestre em Biotecnologia e Recursos Naturais pela Universidade do Estado do Amazonas/UEA (2015). Doutoranda em Biodiversidade e Biotecnologia pela UEA.