Desafios do mundo contemporâneo: clima, migrações e desigualdade
Os desafios do mundo contemporâneo são problemas atuais de escala global, como as mudanças climáticas, as migrações e os deslocamentos forçados e a desigualdade. A História não os trata como fatos que surgiram do nada, mas como resultados de processos com começo, causas e agentes que podem ser identificados em fontes datadas.
Os números ajudam a dimensionar esses problemas. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), 2024 foi o ano mais quente já registrado, com temperatura média global 1,55 °C acima da média de 1850 a 1900. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estimou 304 milhões de migrantes internacionais em meados de 2024, e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) registrou 117,8 milhões de pessoas deslocadas à força no fim de 2025.
Para transformar um dado como esses em explicação histórica, faça três perguntas: desde quando?, por quê? e por decisão de quem? Esse método, ligado à chamada história do tempo presente, depende da leitura cuidadosa de fontes históricas e retoma processos como a Segunda Revolução Industrial, a descolonização e a globalização.
Resumo: três desafios e três perguntas
| Pergunta | Clima | Migrações | Desigualdade |
|---|---|---|---|
| Desde quando? | A régua de comparação começa em 1850; a industrialização é mais antiga | Depende do caso: 1947, 1974–1975, 2017 | Sem data única: marcos de 1944 a 2008 |
| Por quê? | Atividades humanas, principalmente emissões de gases de efeito estufa (IPCC, 2023) | Eventos políticos datados: partição, mudança de regime, lei | Interpretações em disputa sobre as mesmas datas |
| Por decisão de quem? | Estados e empresas que definiram matrizes energéticas, quando há documento | Um decisor por caso, ou a declaração de que a fonte não permite dizer | Vários agentes; nenhum decisor único |
Neste conteúdo você encontra:
- Como a História analisa um problema atual
- Mudanças climáticas: a herança da industrialização
- Como ler os dados do clima
- Migrações e deslocamentos forçados: três casos históricos
- Desigualdade: uma hipótese histórica em disputa
- O que a História explica e o que ela não explica
- Exercícios sobre os desafios do mundo contemporâneo
- Perguntas frequentes
Como a História analisa um problema atual
Um dado do presente costuma trazer um passado embutido. Quando a OMM diz que 2024 ficou 1,55 °C acima da média de 1850 a 1900, ela compara um ano com outro tempo. Ao escolher esse passado como medida, a fonte também faz uma afirmação histórica.
Para passar do dado ao processo histórico, isto é, a uma sequência de condições e decisões ao longo do tempo, use três perguntas:
- Desde quando? Pede um começo datado e justificado.
- Por quê? Busca causas no plural, porque processos longos raramente têm causa única.
- Por decisão de quem? Procura agentes identificáveis e documentos que mostrem o que foi decidido.
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Escolher um início é fazer uma periodização, ou seja, dividir o tempo segundo um critério declarado. O termo Antropoceno, por exemplo, faz parte de um debate sobre como dividir o tempo, e não há consenso sobre quando ele começaria. Isso não torna a pergunta inútil: exige que quem propõe uma data explique o critério.
Também não se deve preencher lacunas com suposições. Se uma fonte não nomeia quem tomou uma decisão, a resposta correta é: a fonte não permite dizer. Escrever que "a humanidade decidiu" ou que "o mercado decidiu", sem documento, transforma decisões separadas em uma intenção coletiva.
Dois erros são frequentes:
- Periodização de manchete: transformar um processo longo em uma data chamativa, como se "tudo tivesse começado" em um único ano.
- Intenção coletiva sem fonte: afirmar que um grupo inteiro decidiu conscientemente um resultado, sem documento que mostre isso.
O método vale para fenômenos com duração e agentes, como o clima, as migrações e a desigualdade. Não vale para um evento natural sem agência humana, como um terremoto.
Mudanças climáticas: a herança da industrialização
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) concluiu, no sexto relatório de avaliação, de 2023, que as atividades humanas, principalmente por meio das emissões de gases de efeito estufa, causaram inequivocamente o aquecimento global. No período de 2011 a 2020, a temperatura média global da superfície ficou 1,1 °C acima da média de 1850 a 1900.
A herança energética aparece aqui. A industrialização movida a carvão, petróleo e eletricidade, estudada na Segunda Revolução Industrial, apoiou-se em combustíveis fósseis, cuja queima emite dióxido de carbono e intensifica o efeito estufa. Dizer que há uma herança não significa apontar uma causa única: trata-se de relacionar decisões de produção e uso de energia, tomadas por Estados e empresas ao longo de mais de um século, a uma diferença de temperatura medida.
A régua de 1850 a 1900
O período de 1850 a 1900 é uma régua de comparação, e não a data de início da industrialização, que é mais antiga. O aquecimento é calculado como a diferença entre um período e essa referência:
aquecimento medido = temperatura do período atual − média de 1850 a 1900
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A conclusão do IPCC vale para a temperatura média global e para a escala de décadas. Ela não permite concluir algo sobre um dia específico, uma cidade ou um evento isolado, e não distribui responsabilidades entre países ou grupos.
O petróleo como questão política
O embargo do petróleo, de outubro de 1973 a março de 1974, mostra que a oferta de combustíveis fósseis já era tema de política internacional décadas antes dos relatórios do IPCC. Segundo o Gabinete do Historiador do Departamento de Estado dos Estados Unidos, o preço do petróleo primeiro dobrou e depois quadruplicou no período.
Dois erros aparecem com frequência. O primeiro é a explicação monocausal, como atribuir o aquecimento só aos carros ou a um único país. O segundo é o anacronismo: afirmar que industriais do século XIX queriam ou sabiam que aqueceriam o planeta. As fontes permitem registrar que o IPCC foi criado em 1988, mas não autorizam dizer o que pessoas de outra época sabiam ou pretendiam.
Como ler os dados do clima
O IPCC foi criado em 1988 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pela OMM. Publicou o primeiro relatório em 1990, dividiu o Prêmio Nobel da Paz com Al Gore em 2007 e concluiu o sexto relatório em 2023. Para ler uma fonte institucional como essa, identifique quatro elementos:
| Elemento | No relatório do IPCC de 2023 |
|---|---|
| Autor | IPCC |
| Data | 2023 |
| Tipo de texto | Relatório de síntese |
| O que afirma | Atividades humanas causaram inequivocamente o aquecimento global |
| O que não afirma | Não faz previsão exata nem decide que política deve ser adotada |
Comparações válidas
Uma comparação só é válida quando as duas informações têm a mesma grandeza, a mesma base e o mesmo período. A margem de incerteza também faz parte do dado: a OMM informou 1,55 ± 0,13 °C para 2024 e 1,43 ± 0,13 °C para 2025, que ficou entre o segundo e o terceiro ano mais quente, conforme a base de dados usada.
A OMM também observou que 2024 foi provavelmente o primeiro ano civil acima de 1,5 °C. Isso não equivale, por si só, a ultrapassar a meta do Acordo de Paris, que se refere a médias de longo prazo.
A mesma cautela vale para o dióxido de carbono (CO2) medido no observatório de Mauna Loa, no Havaí:
| Medida | Valor | Fonte | Com o que se compara |
|---|---|---|---|
| Média anual de 2023 | 421,08 ppm | NOAA | Outra média anual |
| Pico de maio de 2025 | 430,5 ppm | NOAA | O pico de outro mês de maio |
| Pico de maio de 2026 | 432,3 ppm | NOAA | O pico de maio de 2025: alta de 1,8 ppm |
| Pico de maio de 2026 | 432,0 ppm | Instituto Scripps de Oceanografia | A leitura da NOAA, como divergência de método |
Comparar o pico de maio de 2026 com o de maio de 2025 é válido: mesmo mês, mesma estação, mesma unidade. Já comparar o pico de maio com a média anual de 2023 mistura bases diferentes, porque um valor é o máximo de um mês e o outro, a média de doze meses. As leituras de 432,3 ppm e 432,0 ppm para o mesmo pico mostram uma pequena divergência entre instituições, mas ambas indicam cerca de 432 ppm.
Migrações e deslocamentos forçados: três casos históricos
Guerras, mudanças de regime e redefinições de fronteira deslocam populações. Para explicar uma migração historicamente, não basta o número de pessoas: é preciso saber qual evento político a provocou, em que escala e quem tomou a decisão.
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Partição do subcontinente indiano (1947)
A Lei da Independência da Índia foi aprovada pelo Parlamento britânico em 18 de julho de 1947, e a partição em dois Estados, Índia e Paquistão, ocorreu entre 14 e 15 de agosto de 1947 (veja a independência da Índia). A Enciclopédia Britannica cita cerca de 15 milhões de deslocados, uma estimativa entre outras que variam.
Retornados portugueses (1974–1975)
A Revolução dos Cravos, conduzida pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) em 25 de abril de 1974, abriu caminho para as independências das colônias africanas. Moçambique tornou-se independente em 25 de junho de 1975, e Angola, em 11 de novembro de 1975. Segundo a Britannica, cerca de 1 milhão de pessoas deixaram as antigas colônias rumo a Portugal. A fonte as chama de retornados, e não se deve aplicar ao grupo uma categoria que ela não usa.
Lei de Migração brasileira (2017)
A Lei nº 13.445, de 24 de maio de 2017, substituiu o Estatuto do Estrangeiro, de 1980. O texto afirma a universalidade e a indivisibilidade dos direitos humanos, repudia a xenofobia e fixa em quatro anos de residência o prazo para a naturalização ordinária. Aqui, o decisor é claro: o Estado brasileiro, por lei. Mas a lei não desloca pessoas; ela muda a regra.
| Caso | Causa política datada | Escala | Decisor, segundo a fonte |
|---|---|---|---|
| Partição do subcontinente indiano | Divisão em dois Estados, 14–15/8/1947 | Cerca de 15 milhões (estimativa) | Lei da Independência da Índia; a fonte não detalha as negociações |
| Retornados portugueses | Revolução dos Cravos (1974) e independências (1974–1975) | Cerca de 1 milhão (estimativa) | O MFA iniciou a mudança de regime; as independências têm datas próprias |
| Lei de Migração | Lei nº 13.445, de 24/5/2017 | Não há deslocamento | O Estado brasileiro, por lei |
Números que não podem ser somados nem subtraídos
Os 304 milhões de migrantes internacionais (OIM, meados de 2024) e os 117,8 milhões de pessoas deslocadas à força (ACNUR, fim de 2025) parecem partes de uma mesma conta, mas não são. Eles medem grandezas diferentes, com datas-base diferentes: muitos deslocados à força, por exemplo, nunca saíram do próprio país. Por isso, não se pode subtrair um do outro. A situação dos refugiados está detalhada no artigo sobre a crise dos refugiados.
Desigualdade: uma hipótese histórica em disputa
Um dado sobre desigualdade descreve uma situação medida. Uma hipótese histórica vai além: propõe uma relação entre dois processos datados, por exemplo, entre uma mudança de política econômica e uma mudança na distribuição de renda, e indica que evidência poderia confirmá-la ou enfraquecê-la.
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Três marcos mostram como ler esse tipo de fonte:
- 15 de agosto de 1971: o governo dos Estados Unidos suspendeu a conversão do dólar em ouro, então fixada em US$ 35 por onça, impôs uma sobretaxa de 10% às importações e congelou preços por 90 dias. O decisor está documentado, mas o documento trata da ordem monetária, não de distribuição de renda.
- 1976: Milton Friedman recebeu o Prêmio de Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel por seus estudos sobre consumo e teoria monetária. Um prêmio reconhece uma obra; não é uma decisão de política econômica.
- 1990: o economista John Williamson descreveu dez pontos de reforma para a América Latina que, segundo ele, eram consenso em Washington em 1989, entre eles disciplina fiscal, liberalização comercial, privatização e desregulamentação. O rótulo Consenso de Washington passou depois a ser usado como sinônimo de neoliberalismo, uso que o próprio Williamson lamentou.
Duas interpretações em disputa
| Interpretação | O que afirma | Evidência que a distinguiria da outra |
|---|---|---|
| Críticos das reformas de mercado | A retirada de proteções e a desregulamentação concentraram renda | Séries de renda por grupo, antes e depois, em países que mudaram a política em datas diferentes |
| Defensores das reformas de mercado | A abertura e a disciplina fiscal ampliaram o crescimento e, no longo prazo, beneficiaram os mais pobres | As mesmas séries, mais indicadores de crescimento, comparando países que fizeram e que não fizeram as reformas |
As duas interpretações usam a mesma cronologia, mas propõem relações causais diferentes. Dizer que uma reforma "causou" uma mudança só porque veio antes é o erro post hoc: concluir que um fato causou outro apenas porque o antecedeu. Também é inadequado atribuir a desigualdade a um único governo, ideia ou instituição. O contexto anterior às reformas está no artigo sobre o Estado de bem-estar social.
O que a História explica e o que ela não explica
Uma explicação histórica reconstitui um processo datado, identifica causas no plural e agentes com documento e declara o que a fonte não permite dizer. Ela tem dois limites:
- Não prevê: conhecer um processo passado não autoriza afirmar como ele vai continuar.
- Não decide: explicar como chegamos aqui não determina, sozinho, o que deve ser feito.
Também é preciso evitar dois erros. O primeiro é transformar herança em fatalidade: processos anteriores condicionam o presente, mas não o tornam inevitável. O segundo é usar um mapa de heranças como hierarquia de responsabilidade entre países ou grupos, algo que o método histórico, por si só, não faz.
Exercícios sobre os desafios do mundo contemporâneo
Resolva as questões e confira o gabarito explicado de cada alternativa.
Questão 1
Uma reportagem afirma: "A tecnologia criou o problema atual". Qual reformulação aplica corretamente o método das três perguntas históricas?
a) A humanidade decidiu criar o problema; por isso, a tecnologia é sua única causa.
b) Tudo começou nos anos 1980, pois toda explicação histórica precisa de uma única data.
c) O problema é só tecnológico, então não é preciso procurar outras causas nem documentos.
d) É preciso identificar um começo datado e justificado, investigar causas no plural e buscar documentos que indiquem agentes; onde não houver fonte, é preciso declarar o limite.
e) A frase está correta, porque a tecnologia é a causa de todos os problemas atuais.
A alternativa correta é a d: a reformulação transforma uma afirmação genérica em investigação: começo justificado, causas plurais e agentes documentados.
A alternativa a falha porque atribui uma decisão a um sujeito coletivo sem documento e aceita uma causa única. A alternativa b falha porque inventa uma data única para um processo longo, a periodização de manchete. A alternativa c falha porque abandona as perguntas sobre outras causas, datas e decisões. A alternativa e falha porque repete a generalização sem submetê-la a nenhuma das três perguntas.
Questão 2
Um colega lê que 2024 ficou "1,55 °C acima da média de 1850 a 1900". Qual conclusão está correta?
a) O intervalo de 1850 a 1900 é uma régua de comparação e não define, por si só, o início da industrialização.
b) A industrialização começou em 1850, primeiro ano da comparação.
c) O IPCC afirma que todos os seres humanos têm a mesma responsabilidade pelo aquecimento.
d) Como a causa é inequívoca, o relatório também determina a política energética correta.
e) Um único ano acima de 1,5 °C prova que a meta do Acordo de Paris foi ultrapassada.
A alternativa correta é a a: o período de 1850 a 1900 é a referência usada para medir a diferença de temperatura, e não o começo de um processo mais longo.
A alternativa b falha porque confunde a data da régua com a data de início da industrialização. A alternativa c falha porque "atividades humanas" indica uma causa geral, sem distribuir responsabilidades. A alternativa d falha porque afirmar a causa não decide qual política deve ser adotada. A alternativa e falha porque a meta se refere a médias de longo prazo, e não a um ano isolado.
Questão 3
Qual comparação de dados sobre CO2 em Mauna Loa é válida?
a) Comparar a média anual de 2023 com o pico de maio de 2026 para saber quanto o CO2 subiu por ano.
b) Somar as leituras da NOAA e do Scripps para o mesmo pico.
c) Comparar o pico de maio de 2026 com o pico de maio de 2025, medidos na mesma estação e na mesma unidade.
d) Usar o pico de maio para prever com exatidão o valor de 2050.
e) Comparar o CO2 de Mauna Loa com a temperatura de 2024 como se fossem a mesma grandeza.
A alternativa correta é a c: as duas medidas têm a mesma grandeza, a mesma base e o mesmo mês, o que torna a comparação válida.
A alternativa a falha porque mistura uma média de doze meses com o máximo de um mês. A alternativa b falha porque as duas leituras medem a mesma coisa; somá-las não tem sentido. A alternativa d falha porque uma medida passada não autoriza uma previsão exata. A alternativa e falha porque concentração de gás e temperatura são grandezas diferentes.
Questão 4
Um colega escreveu: "Havia 304 milhões de migrantes internacionais em meados de 2024 e 117,8 milhões de deslocados à força no fim de 2025; basta subtrair para saber quantos migrantes não foram forçados". Qual correção está certa?
a) A subtração está correta, pois todo deslocado à força é um migrante internacional.
b) A subtração está correta, desde que se arredondem os valores.
c) Os retornados portugueses devem receber a mesma classificação de todos os grandes deslocamentos.
d) A partição da Índia e as independências africanas foram o mesmo processo, por serem do século XX.
e) A subtração não é válida, pois os números medem grandezas diferentes e têm datas-base diferentes.
A alternativa correta é a e: os dois totais vêm de fontes diferentes, medem fenômenos diferentes e se referem a datas diferentes; não formam parte e todo.
A alternativa a falha porque muitos deslocados à força nunca saíram do próprio país. A alternativa b falha porque arredondar não resolve a diferença de grandeza e de data. A alternativa c falha porque aplica ao grupo uma categoria que a fonte não usa. A alternativa d falha porque proximidade no tempo não torna dois processos idênticos.
Questão 5
Um comentário afirma: "Depois de uma reforma econômica, a desigualdade mudou; portanto, a reforma foi a única causa". Qual reformulação cria uma hipótese histórica bem formulada?
a)A mudança foi causada por um único governante, cuja decisão prejudicou a população.
b) É preciso datar a reforma e a mudança, propor a relação entre elas e buscar evidências que a comparem com outras explicações.
c) Como a reforma veio antes da mudança, está provado que a causou.
d) Sem números de desigualdade, não é possível fazer nenhuma pergunta sobre as causas.
e) A reforma foi necessariamente boa, porque veio depois de uma crise.
A alternativa correta é a b: a hipótese bem formulada liga dois processos datados e indica a evidência capaz de distingui-la das concorrentes.
A alternativa a falha porque atribui um processo de vários agentes a um decisor único. A alternativa c falha porque esse é o erro post hoc: vir antes não prova causa. A alternativa d falha porque a falta de dados limita a conclusão, mas não elimina a pergunta. A alternativa e falha porque substitui a análise por um juízo de valor sem evidência.
Quer aprofundar o tema do clima? Veja as causas e as consequências das mudanças climáticas.
Perguntas frequentes
Quais são os principais desafios do mundo contemporâneo?
Entre os principais estão as mudanças climáticas, as migrações e os deslocamentos forçados e a desigualdade, além de temas como conflitos armados, pandemias e transformações tecnológicas.
Qual foi o ano mais quente já registrado?
Segundo a OMM, 2024, com temperatura média global 1,55 ± 0,13 °C acima da média de 1850 a 1900. O ano de 2025 ficou em segundo ou terceiro lugar, conforme a base de dados.
Por que o aquecimento global é medido em relação a 1850–1900?
Porque esse período é usado como referência anterior ao grande aumento das emissões. Ele é uma régua de comparação, e não a data de início da industrialização.
Quantos migrantes internacionais existem no mundo?
A OIM estimou 304 milhões de migrantes internacionais em meados de 2024, segundo o Relatório Mundial sobre Migração 2026.
O que diz a Lei de Migração brasileira?
A Lei nº 13.445, de 2017, substituiu o Estatuto do Estrangeiro, afirma os direitos humanos dos migrantes, repudia a xenofobia e fixa em quatro anos o prazo para a naturalização ordinária.
O que é o erro post hoc?
É concluir que um fato causou outro apenas porque aconteceu antes dele.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Lei nº 13.445, de 24 de maio de 2017. Institui a Lei de Migração. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13445.htm. Acesso em: 6 nov. 2026.
IPCC. Climate Change 2023: Synthesis Report. Genebra: IPCC, 2023.
OIM. World Migration Report 2026. Genebra: Organização Internacional para as Migrações, 2026.
OMM. State of the Global Climate 2024. Genebra: Organização Meteorológica Mundial, 2025. Disponível em: https://wmo.int/publication-series/state-of-global-climate-2024. Acesso em: 6 nov. 2026.
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WILLIAMSON, John. What Washington Means by Policy Reform. In: WILLIAMSON, John (ed.). Latin American Adjustment: How Much Has Happened? Washington: Institute for International Economics, 1990.
PEREIRA, Lucas. Desafios do mundo contemporâneo: clima, migrações e desigualdade. Toda Matéria, [s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/desafios-do-mundo-contemporaneo-clima-migracoes-e-desigualdade/. Acesso em:
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