Filosofia no Enem

Pedro Menezes

A Filosofia no Enem possui a característica de não ser tão interdisciplinar como outras disciplinas; ela é bem conteudista. Se você não sabe por ondem começar, o Toda Matéria vai te ajudar nessa empreitada. Vamos juntos!

Para um excelente aproveitamento na prova é necessário clarificar algumas ideias. Tendo em mente uma cronologia que tem como marco inicial o Filósofo Tales de Mileto (c.624-546 a.C.) até os dias de hoje, percebemos algumas mudanças nas características da Filosofia ao longo dos séculos que vão compor alguns de seus principais períodos:

  • Filosofia Antiga
  • Filosofia Medieval/Cristã
  • Filosofia Moderna
  • Filosofia Contemporânea

Filosofia Antiga

Escola de Atenas
Academia de Atenas

Por Filosofia Antiga compreendemos dois períodos relativos à Grécia antiga, o nascimento da Filosofia com os filósofos anteriores a Sócrates e, com a vinda de Sócrates, o Período Clássico.

Filosofia Pré-socrática

A Filosofia nasceu na Grécia antiga a partir de um longo caminho de amadurecimento do pensamento lógico-racional (lógos) e abandono gradativo das explicações para o mundo dadas pelos mitos, a chamada consciência mítica.

A Filosofia nasce da curiosidade humana e da vontade de compreender o funcionamento do universo. A própria palavra Filosofia quer dizer "amor ao conhecimento", "amor pela sabedoria".

Movidos por esse "amor", os primeiros filósofos buscaram compreender a origem de todas as coisas e explicar racionalmente a relação dos homens com a natureza. Por conta disso, muitas vezes eles são identificados como Filósofos Naturalistas ou Filósofos da Natureza.

Esses filósofos, amantes do conhecimento, queriam explicar a origem da natureza (physis) e dos seres humanos, através de explicações lógicas e não mais utilizando as fantasias e fabulações dos mitos. Para isso, devotaram-se à pesquisa pela substância ou o princípio original (arché) gerador de tudo o que existe.

Conceitos-chave para o Enem
Consciência Filosófica (pensamento lógico-racional), o lógos.
Princípios originais (arché) - água, fogo, ar, terra, apeiron, átomo, número, etc.
Natureza (physis)

Filosofia Clássica

O período clássico, período socrático ou período antropológico, é o período de viragem e estabelecimento da Filosofia. Como consequência do crescimento e desenvolvimento das cidades-estado (pólis), há o surgimento da vida pública. As questões relativas às interações dentro da pólis passam a assumir um papel de destaque no pensamento e na produção filosófica do período.

Os filósofos, que antes dedicavam-se a desvendar os mistérios da natureza, agora ocupam-se em compreender as relações entre os homens e sua atuação na pólis.

São três os principais representantes deste período:

  • Sócrates - conhecido como o "Pai da Filosofia", justamente por representar a mudança de foco da Filosofia, inaugura o período antropológico (antropo = "humano"; lógos = "razão", "discurso"). As relações entre os seres humanos passam a representar o objeto de estudo da Filosofia. O filósofo buscava fortalecer a atitude filosófica (atitude crítica) contra a opinião e o senso comum (doxa) e criou um método para a busca pelo conhecimento (método socrático), que consistia em derrubar os pré-conceitos e tentar erguer um conhecimento válido sobre os temas em debate.
  • Platão - discípulo de Sócrates, responsável por boa parte dos escritos sobre Sócrates, já que este era contra a escrita na produção do conhecimento. A filosofia de Platão (platônica) é também um grande marco e teve influência na construção do pensamento ocidental. Sua Alegoria da Caverna (ou mito da caverna) é um importante texto para a percepção do que é a busca pelo conhecimento e o papel do filósofo. O dualismo platônico (mundo das ideias), é sempre um tema a ser explorado.
  • Aristóteles - o maior dos discípulos críticos de Platão, classificou diversas áreas do conhecimento (política, ética, poética, lógica, etc.) dedicando a cada um dos temas uma grande atenção.

Este três autores caem no Enem com uma relativa frequência, não devem ser deixados de lado.

Conceitos-chave para o Enem
Senso Comum x Senso Crítico
Mito da Caverna
Dualismo Platônico
Ética e Política

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Filosofia Medieval

Filosofia medieval
Filosofia Cristã

A filosofia medieval foi um extenso período de produção filosófica, mas dois filósofos possuem um maior destaque e são uma presença recorrente nas provas do Enem: Santo Agostinho e São Tomás de Aquino.

Entre outras coisas, os filósofos do período buscaram unir Fé e Razão. A produção filosófica devia estar em conformidade com as escrituras (Bíblia Sagrada). Desenvolveram a ideia de que o conhecimento racional possui limites e que os dogmas (verdades inquestionáveis) da religião superam esses limites e orientam o pensamento. A razão está subordinada à Fé na Filosofia Medieval.

Os padres-filósofos, como também são chamados, foram importantes para o resgate, conservação e documentação da filosofia clássica grega. A partir de uma releitura do pensamento grego, aliado aos dogmas da Igreja, desenvolveram a Filosofia Cristã. Seus principais períodos foram:

  • Patrística - teve início logo nos primeiros séculos, com o objetivo do fortalecimento da fé cristã. Buscou na filosofia grega os conceitos que serviriam de base para o desenvolvimento do cristianismo. A influência do pensamento platônico é uma marca muito forte do período. Como, por exemplo, a relação entre alma e corpo em que o corpo é o lugar do erro (associado ao pecado) e aprisiona a alma, que é pura e perfeita (associada à eternidade). Principal filósofo: Santo Agostinho.

  • Escolástica - teve início por volta do século XI e, por ser um pensamento produzido e desenvolvido dentro das universidades medievais, recebeu o nome de "escolástica" pelo fato de ser produzida dentro dentro das universidades, escolas. Os estudos da filosofia cristã se desenvolveram e tiveram no pensamento aristotélico um campo fértil para a apropriação de conceitos. A união Fé-Razão, sob a forma de Teologia, torna-se uma importante marca do pensamento. Principal filósofo: São Tomás de Aquino.
Conceitos-chave para o Enem
Fé e Razão
Alma
Moral Cristã

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Filosofia Moderna

René Descartes
René Descartes

A partir do Renascimento, dá-se início a uma nova forma de pensamento sobre o mundo. O ser humano assume o papel central na relação com o conhecimento e passa a ser o centro do universo: Antropocentrismo.

A Filosofia, que havia permanecido como um instrumento da religião, busca afastar-se da fé e da religião na intenção de produzir conhecimento neutros e isentos. Há uma importante separação entre conhecimento e fé, conhecida como "Idade da Razão".

É um período muito bem representado nas provas do Enem. Por isso, vamos separá-los em áreas.

Teoria do Conhecimento

A teoria do conhecimento é o estudo das condições e possibilidades do conhecimento humano. Para a realização de uma boa prova é necessário conhecer alguns filósofos principais e correntes de pensamento:

  • Descartes - "pai do pensamento científico moderno" tem em seu método (Método Cartesiano) os alicerces da Ciência. Racionalista, compreende que o conhecimento é obtido a partir da razão.
  • Hume - filósofo empirista, defensor radical do empirismo. É importante ter em mente que para Hume, assim como outros empiristas, o conhecimento tem sua origem na experiência, a partir dos sentidos e das percepções.
  • Kant - idealista alemão, difere de Descartes por tentar estabelecer os limites da razão. Para ele, não se pode conhecer a coisa em si e o conhecimento se constrói a partir do pensamento, sua relação com os fenômenos e o que é passível de ser conhecido. Deste modo, Kant buscou harmonizar o pensamento racionalista cartesiano com o empirismo inglês. Kant é responsável pelo idealismo transcendental.

Política

A mudança de pensamento da época possui seu reflexo na Filosofia e tem na filosofia política um campo de extrema importância. Foi necessário adequar as formas de compreender a este novo período onde os seres humanos e suas relações assumem um papel de destaque.

Nas questões de Filosofia Política do Enem destacam-se:

  • Maquiavel - seu livro O Príncipe é um marco da separação entre a moral e o Estado. O príncipe (governo) age a partir de uma lógica e princípios que são diferentes dos do povo. Daí a sua célebre frase que afirma que "os fins justificam os meios".

  • Hobbes, Rousseau e Locke - esses filósofos discutiram sobre a origem do Estado e o direito natural dos seres humanos. O estado de natureza, em que os indivíduos viviam sem organização social ou estado, vivendo a partir de seus próprios interesses, respeitando apenas a liberdade dada pela natureza. Posteriormente, o seres humanos abandonaram essa liberdade natural para viver em sociedade (contrato social), regulados pelo Estado, assumindo a liberdade civil (dentro das regras do Estado).

  • Montesquieu - responsável por pensar a tri-partição do poder, os três poderes (executivo, legislativo e judiciário).

Ética

  • Kant - representante do iluminismo, busca resolver as questões morais de forma racional, sem recorrer à religião. Aparece nas questões relativas à ética com seu Imperativo Categórico. Nele, o filósofo afirma que só se deve agir se pudermos pensar que esta nossa ação possa se tornar uma regra ou lei da natureza. Em uma segunda formulação do Imperativo, afirma que os seres humanos devem ser entendidos sempre como o objetivo das ações e nunca como um meio para alcançar alguma coisa.
  • Bentham - representante do utilitarismo, assim como John Stuart Mill, diz que as ações devem gerar o máximo de felicidade possível, aumentando o bem estar de todos. Seu panóptico, dispositivo de vigilância, foi retomado filósofo Michel Foucault.
Conceitos-chave para o Enem
Razão - Iluminismo - Método Científico
Contrato Social - estado de natureza
Racionalismo x Empirismo
Imperativo Categórico

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Filosofia Contemporânea

Sartre e Beauvoir
Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre

A Filosofia Contemporânea compreende todo o período após a idade moderna aos dias de hoje, de Hegel a Bauman, entre outros.

Diversos são os temas abordados e os filósofos citados.

Podemos pensar em uma divisão entre as questões relacionadas à própria tradição filosófica e, por exemplo, os novos desafios, como os encontrados na bioética e questões relativas à sustentabilidade. Essas questões exigem uma visão mais geral dos estudantes sobre os temas.

É importante que o estudante tenha em mente o desenvolvimento histórico e social da humanidade associados aos temas da atualidade, para a partir daí, dialogar com alguns filósofos.

Conceitos-chave para o Enem
Crítica à modernidade
Pós-modernidade
Cientificismo
Existencialismo
Consumismo/Sustentabilidade

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Resumo: Como cai Filosofia no Enem

A Filosofia possui um papel muito importante no Enem. Muitas vezes esquecida ou deixada de lado, ela é responsável por um número muito expressivo de questões na prova de Ciências Humanas (1º dia).

Número de questões de Filosofia no Enem (2009-2018)
Número de questões de Filosofia no Enem (2009-2018)

Ao longo dos anos notou-se uma crescente presença das questões próprias da disciplina. Nos últimos três anos, o número de aparições filosóficas no Enem manteve-se no revelante número de 8 questões.

Isto é, quem está se preparando para o Enem não pode deixar de lado a nossa caríssima Filosofia. Sendo assim, temos, aproximadamente, 2600 anos de produção para estudar em alguns meses. Por isso, pode ser necessário buscar alguns atalhos e o Toda Matéria quer ajudar você nisso.

Na análise que fizemos, desde 2009, foram contabilizadas cerca de 70 questões de Filosofia nas provas do Enem e podemos perceber algumas tendências.

Classificação por temas
Principais temas da Filosofia no Enem (2009-2018)
Classificação por períodos da Filosofia
Principais períodos da Filosofia no Enem (2009-2018)

Conseguimos fazer um apanhado geral da Filosofia no Enem e dar uma base para uma excelente prova. Bom trabalho e boa sorte!

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Pedro Menezes
Pedro Menezes
Licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestrando em Ciências da Educação pela Universidade do Porto (FPCEUP).